Terça-Feira, 8 de Outubro de 2015
Artistas e movimentos após a Semana de Arte Moderna
Após a Semana de Arte Moderna e a agitação que ela provocou nos meios artísticos, aos poucos foi surgindo um novo grupo de artistas plásticos, que se caracterizou pela valorização da cultura brasileira. Além disso, esses artistas não eram adetos dos princípios acadêmicos, mas preocupavam-se em dominar os aspectos técnicos da elaboração de uma obra de arte. Faziam parte desse grupo Cândido Portinari (1903-1962), Guignard (1896-1962) Ismael Nery (1900-1934), Cícero Dias (1908-2003)e Bruno Giorgi (1905-1993).
CÂNDIDO PORTINARI
- Importante pintor brasileiro, cuja temática expressa o papel que os artistas da época propunham: denunciar as desigualdades da sociedade brasileira e as consequências desse desequilíbrio. Seu trabalho ficou conhecido internacionalmente através dos corpos humanos sugerindo volume e pés enormes que fazem com que as figuras pareçam relacionar-se intimamente com a terra, esta sempre pintada em tons muito vermelhos. Portinari pintou painéis para o pavilhão brasileiro da Feira Mundial de Nova York, Via Crucis - para a igreja de São Francisco, na Pampulha, Belo Horizonte (MG) e murais da sala da Fundação Hispânica na Biblioteca do Congresso, em Washington. Sua pintura retratou os retirantes nordestinos, a infância em Brodósqui, os cangaceiros e temas de conteúdo histórico como Tiradentes, atualmente no Memorial da América Latina, em São Paulo, e o painel A Guerra e a Paz, pintado em 1957 para a sede da ONU.
![[portinari_retirantes.jpg]](https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhxvIE14OaiQJ9Wqxke4mzUQSdpbwdw2n_xihPQN85HS9YAQCziqsCQ6_YE7bhKrLSQlOLzgi-m-TEL4zXQC_6flYv-6dSdLFtzCjqOj13O6jo5OtbJVJlx7iJnS3nqJoXX4AjpRBVkToUf/s1600/portinari_retirantes.jpg)
Durante sua trajetória, ele estudou na Escola de Belas-Artes do Rio de Janeiro; visitou muitos países, entre eles, a Espanha, a França e a Itália, onde finalizou seus estudos.
No ano de 1935 ele recebeu uma premiação em Nova Iorque por sua obra "Café". Deste momento em diante, sua obra passou a ser mundialmente conhecida.
BRUNO GIORGI
Escultor, pintor, desenhista e gravador. Foi aluno do grande mestre
Aristide Maillol um dos maiores representantes da escultura francesa do
início do século XX. •Sob a influência de Maillol sua carreira atravessou várias fases, desde as de maior predomínio naturalista até os volumes abstratos. •Embora preferisse para seus trabalhos abstracionistas o mármore de Carrara, a partir de 1975 Giorgi voltou à figura humana do início da sua carreira, esculpindo-as com os torsos mutilados, freqüentemente
trabalhados no mármore rosa de Estremoz, norte de Portugal, em
cujas cercanias instalou um ateliê. •Assinava BG e Bruno Giorgi
A escultura Os Guerreiros, mais conhecida como Os Candangos, está localizada na Praça dos Três Poderes, em Brasília. Erguida em 1959, a escultura de Bruno Giorgi é uma homenagem aos 80 mil trabalhadores responsáveis pela construção da capital. A obra mede oito metros de altura e é toda feita em bronze. Em 1987, foi restaurada pelo artista Zeno Zani.
Bruno Giorgi cria obras que valorizam o ritmo, o movimento, os vazios, as linhas curvas e as formas angulares. •De volta ao Rio de Janeiro, aderiu ao uso de bronze, trabalhado pelo método
da cera perdida, que lhe permitiu criar figuras delgadas e verticais, com
menos massa e mais vazios. Em 1959 fundiu em bronze "Guerreiros", para a
Praça dos Três Poderes, em Brasília.
Por volta de 1965, passou do figurativismo às formas geométricas e a
trabalhar em mármore branco de Carrara. A peça mais importante
dessa fase é "Meteoro“. Curiosidades
•Não tinha a menor organização e nem se preocupava
em guardar ou rever obras. Quando não gostava,
simplesmente as desmanchava", lembra Leontina. Num
canto do ateliê, ele se encolhia e passava horas
lambuzando as mãos de barro e lapidando o mármore.
O pó do mármore causou danos aos brônquios, já que
ele nunca usou uma máscara de proteção. Debilitado,
morreu aos 88 anos, de parada cardíaca no Rio de
Janeiro, em 1993, no dia sete de setembro.
Grupo Santa Helena foi o nome atribuído pelo crítico Sérgio Milliet aos pintores que, a partir de meados da década de 1930, se reuniam nos ateliês de Francisco Rebolo e Mario Zanini. Os ateliês estavam situados em um edifício da Praça da Sé, na cidade de São Paulo, denominado "Palacete Santa Helena". Este prédio foi demolido em 1971, quando da construção da estação do Metrô da Sé. O Grupo Santa Helena formou-se de maneira espontânea, sem maiores pretensões e nenhum compromisso conceitual. A maioria era formada por imigrantes italianos, como Alfredo Volpi e Fúlvio Penacchi; ou filhos de imigrantes italianos como Aldo Bonadei, Alfredo Rizzotti, Mario Zanini e Humberto Rosa; ou espanhóis, como Francisco Rebolo; ou portugueses, como Manuel Martins.
Eram todos de origem humilde e, para sobreviver, exerciam atividades artesanais e proletárias. Rebolo, Volpi e Zanini eram decoradores-pintores de paredes; Clóvis Graciano eraferroviário; Fulvio Penacchi era dono de açougue; Aldo Bonadei era figurinista e bordador; Rizzotti era mecânico e torneiro; Manuel Martins era ourives; Rebolo era jogador de futebol; e Humberto Rosa e Pennacchi eram professores de desenho. A pintura era praticada nos fins de semana ou nos momentos de folga
CÍCERO DIAS
Cícero Dias nasceu em 1907, no Engenho de Jundya, em Escada, um pequeno município distante 53 quilômetros de Recife. Passou curta temporada no Rio de Janeiro estudando pintura. Em 1927 realizou sua primeira exposição individual no Rio de Janeiro e, em 1928, abandona a Escola de Belas Artes e dedica-se exclusivamente à pintura. Em 1937, executa o cenário do “ballet” de Serge Lifar e Villa Lobos, expõe em coletiva de modernos em Nova Iorque e viaja a Paris, onde se fixa definitivamente. Seguiu para Paris em 1937, onde reside até hoje. Em Paris, tornou-se amigo de Picasso, do poeta Paul Éluard, e entrou em contato com o surrealismo. Durante a ocupação da França é feito prisioneiro dos alemães.
Em 1943 participa do Salão de Arte Moderna de Lisboa, obtendo premiação e, em 1945, volta a Paris, ligando-se ao grupo dos abstratos. Nesse ano, expõe e, Londres, na Unesco em Paris e em Amsterdam. O ano de 1948 marca uma atividade mais intensa no Brasil, interessando-se sobretudo por murais. Em 1949, comparece à Exposição de Arte Mural, em Avignon, na França. Em 1950 participa da Bienal de Veneza. Em 1965 a Bienal de Veneza realiza exposição retrospectiva de quarenta anos de pintura. Em 1970, realiza individuais no Recife, Rio de Janeiro e São Paulo. Em 1981, MAM realiza retrospectiva sobre sua obra. Segundo Flávio de Aquino, a arte de Cícero Dias nos prova que “a pintura pode perfeitamente expressar um profundo sentimento de vida e de movimento, tem intenso sentido orgânico, sem recorrer às formas da nossa realidade quotidiana. Ao primeiro contato com esta arte alegre e violeta o espectador sente imediatamente uma explosão de cor e, logo após, um subseqüente sentimento de vida”. CRONOLOGIA 1907 - Nasce em Recife, Pernambuco. 1930 – Coletiva brasileira no Roerich Museum, Nova Iorque (EUA). 1937/38/39 – Salão de maio, São Paulo. Fixa-se em Paris. 1945 – Exposição na Galeria Denise René, em Paris. 1948 – Exposição na Escola Nacional de Belas Artes. 1949 – Exposição no MAM, São Paulo. 1950 – Bienal de Veneza. 1951/58 – Salons de Mai, Paris. - Coletiva Lês Jeunes Peintres Abstraits de l’École de Paris, Knokke Le Zoute (Bélgica). 1952 – Individual MAM – São Paulo. 1953 – Bienal de São Paulo. 1957 – Arte Moderna no Brasil, circulante por Argentina, Chile e Peru. 1958 – Exposição Universal de Bruxelas – sala especial. 1965 – Sala especial – Bienal de São Paulo. 1966 – Individual – Musée d’Ixelles (Bélgica). 1978 – Exposição, Musée dês Beaux-Arts André Malraux, Le Havre. 1984 – Coletiva Electra, L’Électricité et l’Électronique dans l’Art du XXème Siècle – MAM Paris. 1984/85 – Participa da exposição Tradição e Ruptura, Síntese de Arte e Cultura Brasileiras, Fundação Bienal de São Paulo. 1986 – Individual, Maurício Pontual Galeria de Arte, RJ.
Núcleo Bernardelli
O Núcleo Bernardelli foi um grupo de pintores modernistas brasileiros. Foi fundado em 12 de junho de 1931, com o objetivo de criar uma alternativa para o ensino oficial da Escola Nacional de Belas Artes, enfatizando a liberdade de expressão artística. O nome do grupo foi escolhido em homenagem aos irmãos Rodolfo Bernardelli e Henrique Bernardelli, que também fundaram um curso independente no final do século XIX.
O Núcleo buscou antes criar um espaço de convivência, estímulo mútuo e discussão livre do que reformar a linguagem da pintura, embora tenham sofrido influência do construtivismo de Cézanne, do Cubismo e do Impressionismo. Seus integrantes, dos quais muitos se notabilizaram no cenário artístico brasileiro, expuseram em cinco salões próprios entre 1932 e 1941. O Museu de Arte do Rio (MAR) possui obras de artistas do Núcleo Bernardelli, entre eles Milton Dacosta (doação dos Fundos Kuckinsky e Fundo Bergamin), Bruno Lechowsky (Fundo Gustavo Rebello), Eugenio Proença Sigaud, Braulio Poiava, Quirino Campofiorito e Joaquim Tenreiro (Fundo Z).
FLÁVIO DE CARVALHO
Flávio de Rezende Carvalho foi um dos nomes que, durante os anos 30, não deixou a peteca da Semana de 22 cair. Arquiteto, engenheiro, cenógrafo, artista plástico, desenhista, antropólogo amador, antropófago... desenvolvia em seus projetos um casamento perfeito entre sensibilidade e racionalidade, arte e ciência, imaginação e realidade. Foi uma vanguarda em pessoa, seja ao lado de Oswald de Andrade no teatro - Teatro de Experiência, seja caminhando junto a Gregori Warchavchik na introdução da Arquitetura Moderna no país, ou com Osório César, apoiando a arte dos loucos já nesses tempos, ou ainda realizando suas famigeradas Experiências. Flávio esteve sempre na linha de frente de um combate iconoclasta que travou durante toda a sua vida. “A arte que interessa é aquela que procura destruir uma suposta verdade”, definiu certa vez sua postura. De família aristocrática, viveu entre 1911 e 1922 na Inglaterra, onde se formou em Engenharia Civil, enquanto estudava artes plásticas em um curso noturno da ultra conservadora King Edward Seventh School of Fine Arts. Foi como freqüentador de museus que teve seus primeiros contatos com os vanguardistas europeus. Retornou ao Brasil e não conseguiu se adequar ao emprego nos cobiçados escritórios Ramos de Azevedo. Em 1926 foi trabalhar no Diário da Noite como ilustrador e conheceu o caricaturista do jornal, Di Cavalcanti, que o apresentou ao grupo antropofágico de Oswald e Tarsila, cujos valores lhe influenciariam profundamente. Em seguida, instalou no Instituto de Engenharia um escritório, que lhe valeu também como residência e ateliê. A década de 30 é inaugurada pela Revolução e o clima eminentemente político que agrega as temáticas dos artistas paulistas parece não se despertar em Flávio. Agora e sempre, sua dedicação é quase que exclusiva ao nu feminino -de um exacerbado erotismo, e ao retrato -baseado na apreensão da psicologia do modelo. Só que é justamente nesta baliza que se emaranharou seu pensamento contestatório. Apresentou seu trabalho pela primeira vez em 1931, no Salão Revolucionário da Escola de Belas Artes, ao lado de pintores como Portinari, Lasar Segall, Cícero Dias, entre outros. Expôs Anteprojeto para Miss Brasil e Pensando, ambas de 1931. Nestes dois trabalhos, as mulheres são captadas pelo artista através de pinceladas densas e desveladas em formas sensuais. Elas são devolvidas ao espectador ameaçadoramente, seja com o olho esquerdo arregalado de uma Miss Brasil negra, seja Em 1932, lutou a favor da Constituição na Revolução Paulista. Ainda neste ano, ao lado de Antônio Gomide, Di Cavalcanti e Carlos Prado fundou o Clube dos Artistas Modernos. Após o fechamento do CAM em 1934, expôs individualmente pela primeira vez. Interditada pela polícia, a mostra só pode prosseguir após interferência judicial. Há muito seu nome freqüentava a imprensa e era sinônimo de confusão. “Herético” era um dos adjetivos mais suaves que a sociedade lhe inculcava. Por isso, quando o amigo Quirino da Silva idealizou os Salões de Maio, preferiu ficar nos bastidores da organização, a fim de não prejudicar com sua “fama” a empreitada. Assim o foi no 1 º (1937) e no 2 º Salão de Maio (1938). Outras circunstâncias fizeram-no organizar sozinho o 3 º Salão de Maio (1939). Em 1947 desenhou a polêmica Série Trágica ou Minha Mãe Morrendo, que lhe rendeu mais uma alcunha, a de “pintor maldito”. Em 1950 representou o Brasil na Bienal de Veneza. Em 1953, elaborou os figurinos e o cenário para o bailado A Cangaceira, de Camargo Guarnieri. Participou ainda de diversas Bienais de São Paulo, sendo homenageado com sala especial em 1983. Sua pintura, desenho e escultura de maior qualidade estão permeadas pelas propostas surrealistas e expressionistas, que ganham vida no que ele próprio chamou de “linhas de força psicológicas”. Mas enquanto artista pleno que era, passou praticamente por todas as vanguardas (arquitetura futurista, teatro dadaísta...) e ainda antecipou outras formas de expressão, como por exemplo suas performances -as Experiências. Assumidamente inspirado em Nietzche e Freud, visava à evolução do homem, que só aconteceria após a superação dos valores ocidentais, morais e religiosos. Seus estudos transdisciplinares ignoravam a lógica da fragmentação dos saberes. A sociedade de seu tempo não conseguiu entender a proposta e decodificou o fenômeno da genialidade como loucura. |